O que fazer com o dinheiro diante da ameaça de impeachment?

Surfar na onda das boas e más notícias da crise política que tomou conta do país - e gira em torno do impeachment da presidente Dilma Roussef - para ganhar dinheiro não é recomendável para 99% dos investidores, segundo Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest.

As cotações da bolsa de valores e do dólar têm passado por oscilações diárias muito fortes, em um movimento que tende a continuar nos próximos meses diante do impasse político.

Por isso, a orientação de Calil é evitar tomar decisões de investimento por impulso com base nesse cenário tão incerto. É um clima parecido com o da eleição presidencial, em 2014, só que um pouco mais volátil (com altas e baixas fortes em um curto espaço de tempo).

"E assim como naquela época, aconselho o investidor a aguardar e esperar para ver o que vai acontecer. Depois ele pode se posicionar de forma a preservar o patrimônio e fazê-lo crescer. O importante é diminuir o risco de perdas, já que ninguém pode jogar dinheiro pela janela durante a recessão", afirma Calil.

A recomendação, segundo o especialista, vale para a renda fixa e a renda variável. Para a negociação de ações ou investimento em aplicações atreladas ao dólar pode ser um momento de ganhos caso o investidor tenha perfil de risco e um mix de características essenciais para ser ágil na tomada de decisões, perfil que apenas 99% dos investidores têm.

Calil diz que é preciso se estabelecer na renda fixa até o cenário se acalmar. Por enquanto, as aplicações mais conservadoras e, assim, com menor chances de perdas são as atreladas a juros ou CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa praticada entre bancos), que sejam pós-fixadas (quando o rendimento é conhecido no final da aplicação).

Ainda há muita volatilidade nas taxas de juros futuras para uma exposição maior em aplicações prefixadas ou mistas (atreladas à inflação e com taxa pré). Assim, o valor diário dos ativos dessas aplicações muda todos os dias, efeito conhecido como marcação a mercado.

"Na época da eleição, sugeri a aplicação em dólar somente após o resultado das urnas. Quem esperou até esse período para aplicar, perdeu de 7,5% a 8,5% de valorização da moeda, mas depois ganhou 42%. Às vezes é melhor ter a certeza de que não vai perder do que se aventurar", diz.

DÓLAR

Se o momento não é para a tomada de decisões que comprometem o patrimônio, pode ser adequado para a compra de dólares como reserva de moeda para fazer viagens internacionais.

O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (17/03) cotado a R$ 3,65, com queda de 2,29%. Boa parte desse recuo, ou 90% dele, calcula Calil, foi resultado da liminar que impede a nomeação do ex-presidente Lula para o ministério da Casa Civil.

Isso, no entanto, pode mudar amanhã, assim como ocorreu nos dias anteriores. Quando ainda havia incerteza sobre a ida de Lula para o governo, a moeda norte-americana havia subido 3,02%, na terça-feira (15/03), para R$ 3,76.

"Não dá para saber o caminho do dólar. Quem tem viagem marcada para o exterior deve comprar nos dias de cotação baixa e aos poucos. Amanhã pode surgir outra gravação de outro político e a moeda disparar 5% e no outro dia, cair de novo para 3%. Não dá para achar a menor cotação", afirma o especialista.

Além da forte influência da política na taxa de câmbio, Calil explica que a queda na cotação também foi influenciada pelo anúncio do Banco Central de reduzir os leilões de venda no mercado futuro.

BOLSA

Para negociar ações, Calil diz que é preciso ter, em primeiro lugar, conhecimento para interpretar as notícias e tomar decisões rápidas. Junto com isso, acesso a sistemas de informação para operar com agilidade.

A volatilidade também está forte na bolsa de valores. Nesta quinta-feira (17/03), o Ibovespa (índice das ações mais negociadas e de maior valor de mercado da bolsa) subiu 6,60%, para 50.914 pontos. Mas na terça-feira (15/03) a bolsa havia registrado recuo de 3,56% para 47.130 pontos, até então a segunda maior queda diária desde 2 de fevereiro.

Com tanta oscilação, quem quiser negociar nesse mercado, terá de ser profissional e ágil, ou seja, ser capaz de tomar a decisão certa ao ler uma manchete curta.

"Mais do que isso, é preciso ter estômago em caso de perdas e tempo disponível. Não pode ser médico, dentista, fisioterapeuta e nem dona de casa. Tem de ficar na frente do computador da hora que o mercado abre até o fechamento para aproveitar as oscilações. Por isso digo que só 99% das pessoas têm esses cinco requisitos", afirma Calil.

Fonte: Diário do comércio

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