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Crescimento e associativismo

Notícia publicada em: 09/março/2016

Vencer, superar, melhorar, são jargões utilizados de todas as formas e em todos os projetos de empreendedorismo, para passar confiança e propor uma forma de superar a crise, ao menos no papel.

Qual seria verdadeiramente a melhor forma de vencer um obstáculo ou procurar a cura para um mal?

Na década de 1980 trabalhava-se a autoestima do paciente como forma de cura para os males da saúde. Hoje focamos a ciência.

Ou seja, mais do que palavras ou projetos complicados, a ciência é o estudo da melhor forma, da incubadora de ideias e da troca de informações.

Todos os seres que evoluíram na vida terrestre, são não por acaso, as espécies que trocam informações. Seres hermafroditas, ou seja, se reproduzem sem auxilio de ninguém, ficam na mesmice.

As mais belas flores são as fecundadas pelas abelhas que misturam os genes e informações de outras plantas, a evolução da espécie se dá por combinação gênica.

Quando empresas de mesmo segmento começam a enxergar que são parceiros e a troca de experiências entre eles traz uma combinação de genes benéfica aos dois, isto é o verdadeiro associativismo.

O crescimento empresarial é por tentativa e erro, assim como na ciência, mas com a troca de informação de seus pares a chance de sobrevivência é infinitamente maior.

Imagine em 1894, quando produtores começaram a se unir em torno de um mal que os combatia com vigor maior do que a broca nas plantações de café, um mal que fazia perder tudo que produziram, ou seja, aquele que levava sua mercadoria e não pagava.

Com o mais rudimentar serviço de análise de credito, surgia a Associação Comercial. Onde, com a troca de informações entre eles, se obtinha os nomes dos maus pagadores.

Estes nomes eram falados na praça para todos saberem e não darem crédito aos maus pagadores. Ali surgiu o Serviço Central de Proteção ao Crédito – SCPC.

Ali surgiu da forma mais natural e bela, a força do associativismo e da troca de experiências. A partir deste ponto, se alguém tinha o nome sujo na praça, não teria seu credito.

Era sabido que aquela pessoa havia dado um golpe em alguém, mas você estava resguardado na experiência que adquiriu sendo associado e trocando informações.

Pense na quantidade de informações e de trocas possíveis adquiridas ao longo de todos estes anos, multiplique pelos mais diversos segmentos associados. Basta aos associados trabalhar toda esta informação para ser infinitamente mais competitivo com bases sólidas e não somente com autoestima.

E a nova geração, como emerge neste cenário em que o fortão de antes agora é esnobado e o nerd é valorizado?

Somos a geração que interage mais com máquinas do que com pessoas, preferimos trabalhar e desenvolver sozinhos em vez de trabalhar em equipe. Temos a sensação que dirigimos bem por dominar os comandos em jogos como Gran Turismo ou malandros como no GTA, o mesmo vale para estratégias, futebol e etc.

Certamente estas habilidades nos fizeram desenvolver um raciocínio lógico, rápido e isto nos dá vantagem competitiva. Por outro lado, perdemos a troca de gens com nossos pares e isto dificulta nosso crescimento, pois temos que passar por todas as tentativas e erros novamente.

Nomes da ciência como Newton, Einstein, Hermes, Sócrates e etc. mesmo Steve Jobs e Bill Gates, não tiveram estas vantagens competitivas, mas tornaran-se os maiores nomes dos avanços científicos e tecnológicos da história.

Tinham a curiosidade, ambiente que estimulasse a descoberta e acima de tudo, tinham o associativismo. A união e a troca de informações para construção de algo material e palpável.

Mesmo um gênio no desenvolvimento de sistemas, não teria sucesso sem a associação a alguém de marketing ou finanças que pudesse colocar um ritmo comercial ao produto e ao estudo mercadológico.

Esta nossa geração sonha um mundo melhor, ganhando mais e trabalhando menos e com menos responsabilidades, onde trabalhamos para viver.

Mas tem ocorrido o oposto: temos vivido para trabalhar, ganhamos menos, trabalhamos na empresa durante o dia e até a madrugada em casa, em home office com metas loucas e chefes na internet e celular ate a hora que ele quiser, nos empurrando responsabilidades que seriam deles.

Nesta ânsia do mundo Google para trabalhar, descobrimos que o mundo da fantasia para de existir quando chegam as metas, que ficamos teclando com abreviações por falta de tempo de escrever td. tcl c rapidez p n perdermos nosso fds com trabalho.

Neste novo cenário onde expressamos nossos sentimentos com KKK ou RSRSRS, ficamos anônimos atrás das telas pensando em como desenvolver algo e ser grande, para voltar ao sonho inicial do viver para trabalhar.
Nesta ânsia ficamos escondidos e egoístas pensando que alguém pode roubar nossa ideia. Quando o real valor esta na realização e na concretização das ideias, e isto não se faz sozinho em casa.

Podemos ter o melhor dos dois mundos, todas estas habilidades desenvolvidas na atualidade e a experiência associativa que nos da experiência empresarial. Nos agrega a novos valores e pessoas que nos fazem avançar no horizonte, mostram o caminho do sucesso.

O novo mundo se construiu pela associação de pessoas lutando por algo melhor, pela pavimentação da rua, pela escola mais próxima e ainda hoje movimentos associativos trazem muitos resultados, veja o exemplo dos 20 centavos no transporte ou remanejamento escolar.

Empresarialmente falta a nossa geração mais integração, troca de experiências. O verdadeiro empreendedor consegue agregar pessoas e valores, consegue utilizar com sabedoria a experiência de outros, ver o que fazer e não fazer, ainda mais em um cenário econômico tão instável como o que vivemos hoje.

Tempos que nos remetem a plano Verão, Collor, inflação alta, tempos que não vivemos, mas se bem utilizarmos a experiência adquirida por quem passou por isso, poderemos sair fortalecidos e ser a nova classe empresarial do Brasil.

POR MICHEL WIAZOWSKI ROCHA
Fonte: Diário do Comércio - SP